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Psicanalista que é psicanalista estudou as falhas na linguagem, falhas essas, por onde transparece o inconsciente. Sabe da radical diferença entre a cultura e o sujeito, entre o masculino, escravo da lei edípica que todos são obrigados a cumprir, e o feminino , a exceção, a invenção, como ensinou Jacques Lacan.
O romance está presente nas nossas vidas, não há como negar. Somos românticos ao deixarmos o sono chamando à porta enquanto dedilhamos palavras proferidas no extase, na fervura de um amor inacabado. Inserimos nossas formas de ser nas nossas palavras, vemos como agimos atravez delas. Ninguém melhor que a palavra. É do ofício do psicanalista produzir cortes com o instrumento que dispõe, a interpretação. Rara e fugaz, é de imediato seguida pela costura, pela costura significante. É nessa dialética de corte e costura que se tece o nosso ofício.
A falha é a razão de ser da psicanálise desde Sigmund Freud. Afasias, atos falhos, chistes, sonhos e sintomas, enfim, o mau funcionamento do nosso aparelho de linguagem, são, como diz, as portas de saída do inconsciente habitado pro desejos recalcados pela culpa que a lei edípica nos proporciona. Para Sigmund Freud, nossa cultura constrói-se a partir do recalque de nossas pulsões de vida e de morte. O resultado é um tremendo mal-estar perante a cultura. Para espantar o mal-estar fazemos de conta que encontramos na cultura soluções para nossos males. Para cada doença um remédio, para cada ato criminoso um tipo penal, para cada problema uma solução. Assim nos ensinam nas universidades. As contradições na sociedade resolvem-se pela síntese dialética, divulgam os revolucionários marxistas. A cultura e sua ordem nos contêm. Exigem um preço alto: neuroses, psicoses e perversão nos lembram como a ordem cultural é furada. Não é tão difícil adquirir espírito crítico. Basta abrir mão de algumas facilidades. Sabe, o mundo não é um bom lugar. É fácil demais pensar que é. Erga seus olhos e veja o que há ao seu redor. Só isso.
Com certeza, boa parte do que nos é contado vem carregado de medo, vergonha, culpa e, sem sombra de dúvida, de mentiras. E é na mentira que mora a chave para interpretar o que realmente deve ser dito. O que nem mesmo a pessoa mentirosa sabe o que é, talvez nunca tivesse sabido se não fosse "fuçar" numa psicoterapia. Saibamos que "fuçando" não se cura, e não há em momento algum mencionado nas obras de Freud uma mensão a cura. É a ciência que busca o saber, por isso a medicina não pode chegar tão longe, não tratamos com números, e sim com pessoas. Cada paciente é um nova psicoterapia que deve ser criada. Curar não significa nada, pois não se cura algo que faz parte do Homem. Veja por outro lado. Aqui estamos, usando nosso intelecto ao imaginarmos os porques da vida de um homem cuja principal ocupação fora entender, principalmente, as mulheres. Talvez compreender o homem tenha sido mais fácil, talvez uma consequência ou talvez nunca o tenha feito. Mas o certo a se pensar é que sua técnica é facinante.
Fau ^.^ - Fragmentado e montado como um quebra-cabeça.
criado por Fau ^_^
03:56:03