14.03.08
Como o racionalismo explica a linguagem
Daniele Pontes Passos, Patricia Andrade
vicente.martins@uol.com.br
Discentes da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral, Estado do Ceará, Brasil
2007
Na tentativa de elucidar essa questão, várias teorias foram lançadas, são as chamadas teorias de aquisição da linguagem. Nesse artigo, nos ocuparemos em apresentar a hipótese inatista que, por sua vez, pertence à teoria racionalista da aquisição da linguagem, assim como as contribuições das teses inatistas para os estudos de aquisição e desenvolvimento da linguagem.
A teoria racionalista consiste em uma teoria atual sobre a aquisição da linguagem que assume, juntamente com as experiências, a existência de uma capacidade nata do ser humano, de adquirir a linguagem e desenvolvê-la.
O racionalismo admite a existência da mente no processo de aquisição, que a relação entre a linguagem e mente pressupõe a existência de uma capacidade inata. Os racionalistas entendiam que para se compreender o processo da linguagem era preciso fazer um estudo levando em conta a mente, explorar o pensamento, portanto, eles faziam parte de uma concepção essencialmente mentalista, diferentemente dos empiristas que não consideravam a mente como componente fundamental para justificar o processo de aquisição, apesar de não se negar sua existência.
Para os racionalistas o processo de aquisição não se dá apenas pelas variáveis externas (experiência) como acreditam os empiristas (behaviaristas) mas que o indivíduo tem participação nesse processo. Na tentativa de explicar como se dar essa participação, inúmeras pesquisas foram levantadas e tomaram impulso originando o aparecimento do inatismo, defendido por Noam Chomsky. No entanto, embora essa capacidade nata para muitos seja de comum acordo, muito se discute sobre a sua imagem.
A partir dos trabalhos do lingüista Noam Chomsky, os estudos sobre os processos de aquisição da linguagem tomaram novos impulsos, em reação recorrente behaviarista que dominava as teorias de aprendizagem. Segundo os behaviaristas, a aprendizagem da linguagem se daria pela exposição ao meio (experiências) e decorrente de mecanismos comportamentais através do reforço, estímulo e resposta. Esse pensamento é essencialmente comportamentalista oriundo da tradição norte americana ganhou forças a partir da primeira guerra mundial que impulsionava estudiosos a compreender o comportamento lingüístico, reduzindo a mecanismo e estímulo-resposta, imitação e reforço.
Chomsky fez duras críticas a abordagem da diarista de Skinner, tanto da linguagem quanto de sua aprendizagem, como empobrecida para considerar a complexidade do sistema e os fatos de aquisição, ela adota uma postura inatista do processo por meio do qual o ser humano adquire a linguagem. Em 1957, publicou Syntatic Structures, esse trabalho apresentava os fundamentos da Gramática Gerativa Transformacional. Logo depois, em 1959, publica a sua famosa resenha do livro Verbal Behaviour do comportamentalista Skinner, que, como dissemos, fez críticas ao posicionamento, operaciolismo presentes tanto no programa comportamentalista como no programa estruturalista defendendo a idéia de que a ciência da linguagem deve partir de uma teoria forte propondo, portanto uma abordagem racionalista e dedutiva para a ciência.
Sabendo que o ser humano faz uso de alguma forma de capacidade inata, muito se discute sobre a natureza. Duas correntes inatistas tentam explicar essa natureza, são elas:
Hipótese gerativista ou inatista: assume que o aprendizado da linguagem independe da cognição e de outras formas de aprendizado.
Teorias cognitivistas, construtivistas: a linguagem é parte da cognição, o mecanismo responsável pelo aprendizado da linguagem também é responsável por outras formas de aprendizado.
Consideremos a hipótese inativista. Remonta a Noam Chomsky (1965) a proposta de que o ser humano é dotado de uma gramática inata. Ele propõe uma teoria que se baseia na rapidez do processo, na criatividade e competência do falante, em regras lingüísticas de outra natureza e em afasias em áreas do cérebro. Sua teoria fundamenta-se na observação de que a criança, ao viver em um determinado meio em que se fala uma determinada língua seja capaz de produzir sons dessa língua ao passo de desenvolvê-la e que por volta dos 3/4 anos ela já está com sua “gramática” quase completa.