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O obscuro que SE ESCONDE DA GENTE.
Me obrigaram a ser o que sou, e acabei sendo recrutado sem mesmo me alistar em nada. Não sendo o bastante, me obrigaram a estar nesse lugar, onde estou agora, sentado nesse canto do trem que me levará para a faculdade. Espremido entre tantos.
São diversos fatores, que eu incluo agora desde ter que ter dinheiro até ter que gasta-lo (o que também me é imposto). São coisas tolas demais para acreditar que sejam “normais”.
Este é o prazer que eu tenho e tudo se resume a isto, meus sonhos não são meus, são de quem quer que eu os sonhe, minhas escolhas não cabem a mim também, antes disso, alguém escolheu o que eu poderia querer escolher.
Enquanto tantos “eus” se pisoteiam por um pouco do que ter ,outros, poucos outros, assistem. E com razão. Eu no lugar deles faria exatamente a mesma coisa. Isso porque eu fui criado parar ser o melhor em tudo, não basta ser bom, tem que ser o melhor. Temos que tirar as melhores notas, pontuar o máximo possível para “deixar os outros pra trás”, ou seja, para pisoteá-los. Tanto isso é verdade que nos pisoteamos nesse trem. Quem chegar primeiro leva.
Há no ser humano uma necessidade absoluta de dominar e não querer ser dominado. É para se sentir seguro, como o cão que esconde seu osso debaixo da terra, e passa a ter uma carta na manga. Nós costumamos fazer o mesmo com dinheiro e banco, só mudam os nomes.
Passamos a viver em sociedade porque buscamos segurança. Unidos venceremos. Uma farsa, pois vivendo em sociedade perdemos nossa liberdade e não garantimos segurança nenhuma, muito pelo contrário, tememos a sociedade e nos sentimos cada vez mais acuados diante dela. Ninguém tem coragem de largar a porta do carro aberta. Todos instalam suas cercas elétricas e compram os cachorros mais ferozes para se defenderem. - Depois os cachorros comem seus donos, um horror. - Bem, eu falei de busca por segurança (que queriamos ter, mas não conseguimos vivendo juntos), mas faltou falar da busca por liberdade. Bem... Não existe. Simplesmente achamos que somos livres erroneamente, sem perceber que somos e estamos de acordo com uma necessidade que nos é imposta. Ninguém deveria fazer coisas que não tem vontade, mas fazem. Fazem porque têm que fazer, têm que ter dinheiro para sobreviver, têm que ter tevê para assistir novelas, têm que comprar um nike porque só com um nike é que as meninas olharão para ele, ou fazer escova no cabelo porque cabelo crespo é feio. Como se alguém soubesse o que é feio e belo. São todas construções psicológicas, muitas vezes, impostas em forma de ideologias (que eu precisaria de mais um blog só pra falar delas).
Uma coisa é certa: volks wagem é perfeito para sua vida (acabei de ouvir durante o jogo do São Paulo). E ninguém percebe a imposição, ou ouve e acha que não é, acha é É ASSIM MESMO. Disso se faz ideologia. Não é assim, nunca foi, quiseram que fosse para que você comprasse esse carro.
Nossa clausura (falta de liberdade) não vale o sofrimento que custa. Seria melhor voltar a ser livre e conseqüentemente a ser feliz, mas como eu dizia, não me deram essa escolha. Eu nasci em sociedade, e o que é pior, em sociedade capitalista. Aprendi que vencer o outro é o que devo fazer para ser alguém, para ter alguma coisa na vida. Aprendi que meus sonhos devem ser mercadorias, e não sonhos de verdade, eu devo desejar carro, casa, iate, e mais dinheiro para ter mais mercadoria (dinheiro esse, meus amigos, que a classe dominada nunca terá. Nosso dinheiro só serve para fazer girar as mercadorias que ELES produzem com a mão de obra dos mesmos que compram), completamente contraditório, e de acordo com a teoria dos Frankfurtianos, que diz que é através da contradição que identificamos uma ideologia. Como posso ser feliz enquanto tiver que pagar pelos meus sonhos?A palavra “Free” está presente no idioma Inglês e Alemão, e quer dizer (não atoa) tanto, LIVRE, quanto GRÁTIS. Não é contraditório o suficiente? Tá então lá vai mais. Eu fui criado para trabalhar e me orgulhar disso. Fazemos festas comemorando o primeiro emprego, o primeiro salário. Fazemos festa comemorando a condição de escravo que nos submetemos. Mas fomos criados para gostar disso, não faz parte da nossa escolha. Não culpo as pessoas, eu também comemorarei meu primeiro dinheiro ganho com meu trabalho como psicólogo (o mundo precisa de psicólogos, se não precisasse não teria faculdade de psicologia), (O mundo precisa de dinheiro, porque é o único jeito de sobreviver, não sabemos mais fazer nada). O que quero dizer com o que coloquei aí entre parênteses é que o mundo (sociedade) só fabrica o tipo de pessoa que necessita. Somos criados, com uma forma de educação (família, escola, mídia, sociedade) que se instala no inconsciente produzindo a sensação de prazer ao dizer que tem trabalho (e a sensação de desprazer ao dizer que não o tem, e a repulsa a quem diz não ter). Devemos nos sentir felizes enquanto mão de obra. =)
^_^ Fau - Teoricamente maluco

criado por Fau ^_^
23:04:00Por se tratar de um assunto atual e de grande elaboração de teóricos de diversas partes do mundo tenho encontrato muitos textos que achei interessante compartilhar aqui. Alguns dados estatísticos e umas teorias me chamaram a atenção. Procurei ser o mais direto possível, mas é difícil não encher esse espaço com tamanha quantidade de conteúdo a respeito.
...Continuação
Também o constante sentimento de que algo está ainda faltando, incompleto ou imperfeito acaba fazendo com que esse paciente tenha extrema dificuldade prática para concluir tarefas. Vem dessa incerteza patológica a necessidade de repetição, de lavar novamente, de contar de novo. Acredita sempre que o gás não está bem fechado, que as mão não estão tão limpas, etc.
Portanto, a doença é crônica e seu prognóstico não é bom. Há trabalhos atestando que 20 a 40% dos pacientes não obtém melhora apesar do tratamento médico, 40 a 50% tem melhora moderada e apenas 20 a 30% melhoram significativamente. O bom ajustamento social e profissional ajuda a melhorar o prognóstico. Há casos onde a hospitalização é necessária, principalmente quando o paciente submete-se totalmente às compulsões ao invés de resistir à elas.
Acompanhando a manifestação central ou a idéia obsessiva desse transtorno, deve haver sempre um sentimento de medo eou ansiedade. Tal sentimento desagradável freqüentemente leva a pessoa a tomar medidas contra a idéia ou impulso inicial, gerando assim o ato compulsivo ou compulsão. No distúrbio da Personalidade do mesmo nome isso não acontece e a pessoa é concordante com sua maneira metódica e organizada de ser. Observamos ainda, no Transtorno Obsessivo-Compulsivo, o reconhecimento por parte do paciente, do absurdo e da irracionalidade de suas idéias e de seus atos compulsivos bem como da impossibilidade de combatê-los. Estes fatos, por si só, já são suficientes para proporcionar grande ansiedade.
Kaplan delimita quatro padrões sintomáticos principais no Transtorno Obsessivo-Compulsivo pela ordem de freqüência e que, de fato, constatamos na prática clínica quotidiana:
1- Obsessão de contaminação, seguida de banhos ou da higiene das mãos. O objeto temido é difícil de evitar, como o pensamento sobre urina, fezes, contaminação microbiana, feridas, doenças, sujeira em geral e a compulsão envolve banhos e limpeza. Tais pacientes podem auto-produzir escoriações pela forma exagerada com que se lavam e escravizam-se pelo ritual absolutamente rígido do ato de limpeza. Este é o padrão sintomático mais comum.
2- A obsessão da dúvida seguida da compulsão para verificação é o segundo tipo mais encontradiço. A obsessão de ter negligenciado a prevenção do perigo, como por exemplo, ter deixado o gás aberto, o ferro de passar ligado, a porta da frente destrancada, a torneira aberta, as gavetas e portas semi-abertas, etc., determina complicados mecanismos de verificação e reverificação obrigando o paciente a voltar várias vezes ao mesmo local. Várias são as situações onde o indivíduo obsessivo é incomodado por sentimentos de culpa por ter negligenciado alguma coisa, daí a falsa impressão do perfeccionismo e meticulosidade.
3- Em terceiro lugar vem os pensamentos obsessivos meramente invasivos de temática extremamente variável; pensamentos libidinosos e obscenos dirigidos à objetos de veneração e respeito (santos, mãe, crianças, filhos), agressões que o indivíduo considera condenável. Por ter consciência destes pérfidos pensamentos habitando o seu psiquismo a ansiedade experimentada chega a ser insuportável.
4- A lentidão obsessiva ou pensamento persistente de criteriosa meticulosidade na execução das atividades corriqueiras transformando cada atividade quotidiana numa verdadeira liturgia de perfeição e ordem. As coisas têm que ser feitas assim ou assado e, na dúvida de terem saído imperfeitas são meticulosamente repetidas. As tarefas do dia-a-dia tornam-se demasiadamente morosas e de realização extremamente complexa e cansativa.
Conclusões sobre o assunto.
Temos ainda que diferenciar o TOC franco com o Transtorno Obsessivo da Personalidade visto como uma maneira metódica, insegura e ritualística de se relacionar com a realidade. Como distúrbio da personalidade, o tipo Obsessivo-Compulsivo (ou Anancástico) não caracteriza ainda um estado mórbido, ou seja, não proporciona ainda sofrimento ou comprometimento significativo na vida de relação ou na capacidade ocupacional. No Transtorno Obsessivo-Compulsivo franco já deve haver alguma inibição da conduta social, conforme apregoa a definição das neuroses.

criado por Fau ^_^
10:59:58Transtorno Obsessivo-Compulsivo - TOC
As características essenciais do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) são obsessões ou compulsões recorrentes e suficientemente graves para consumirem tempo ou causar sofrimento acentuado à pessoa. Leigamente diz-se que a pessoa tem várias "manias" e que é esquisito ou estranho mas, normalmente, o portador de TOC sabe que suas "manias", obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais.
Obsessões são pensamentos ou idéias (p. ex. dúvidas), impulsos, imagens, cenas, que invadem a consciência de forma repetitiva, persistente e estereotipada seguidos ou não de rituais destinados a neutralizá-los. São experimentados como intrusivos, inapropriados ou estranhos pelo paciente em algum momento, ao locngo do transtorno, causando ansiedade ou desconforto acentuados. A pessoa tenta resistir a eles, ignorá-los ou suprimi-los com ações ou com outros pensamentos, reconhecendo-os, no entanto, como produtos de sua mente e não como originados de fora. Não são simplesmente medos exagerados relacionados com problemas reais.
Os Pensamentos Obsessivos, como sintomas, são estudados nas alterações do Conteúdo do Pensamento. São determinadas idéias de caráter obrigatório e impostas ao indivíduo, independente de sua vontade, mesmo sendo contrárias aos argumentos de sua lógica e de seu juízo. No Transtorno Obsessivo-Compulsivo essas impulsos obsessivos, e conseqüentes compulsões delas decorrentes, são suficientemente intensas para causar sofrimento acentuado, consumir tempo, interferir significativamente na rotina normal da pessoa, no funcionamento ocupacional ou nas atividades e relacionamentos sociais.
As compulsões são comportamentos repetitivos e intencionais (apesar de quase involuntários) desempenhados em resposta à Idéia Obsessiva e com a finalidade de prevenir o desconforto de um suposto acontecimento terrível. Os atos compulsivos são ritualísticos, estereotipados e absurdos e, caso não sejam realizados à contento, a ansiedade acoplada à idéia obsessiva acerca de algum provável acontecimento desagradável passa a incomodar muito o paciente. Normalmente tais atos compulsivos envolvem atitudes de higiene, como por exemplo, lavar as mãos, limpar coisas metodicamente, ou atitudes de contar, conferir, arrumar. Outras vezes, implicam em tocar ou olhar objetos de maneira ritualística.
FAU ^_^

criado por Fau ^_^
01:38:53